Guest Post : Ground Zero por Patricia Blower

Céu de NY_ Ground Zero

Desde que começamos a falar em ir a Nova York, a ideia não saiu mais da minha cabeça. Eu iria ao Ground Zero. Porquê? Por muitas razões. Curiosidade histórica. Onipresença de turista que quer estar lá, naquele lugar, para dizer… Eu estive lá.  Vontade de ver in loco o ponto geográfico onde a História se perdeu e se reinventou. Ali, onde o século XX terminou.

Havia uma outra razão que, confesso, tenho um certo pudor de mencionar. Medo de soar piegas… Queria estar lá para pensar naquelas pessoas que estiveram lá, naquele momento, presas do acaso. Desfeitas em um grito, em calor de mil graus, em um salto no infinito, em susto e silêncio.

Pessoas tão comuns e cotidianas quanto eu. Anônimas pessoas que acordam e tomam o café da manhã e vão trabalhar e esperam voltar para casa ao final do dia. Pessoas possíveis com seus sonhos, ódios e paixões. Pessoas, independente da nacionalidade, ideologia, credo, raça, orientação sexual… Pessoas, cotidianas e comuns. Pessoas entregues à vontade do destino e a decisões alheias. Assim somos nós… E alguns de nós estiveram ali, aprisionados por aquela manhã de setembro. Ícones de nossa precariedade.

Ground Zero-New York

A minha primeira visão do Ground Zero foi ainda de longe. As novas torres (estas bem mais baixas) sendo contruídas. O vendedor de livros sobre o lugar… Foi ele que nos indicou onde pegar os ingressos para entrar no local. E foi ele também, um rapaz equatoriano bem simpático, que nos informou que o Ground Zero estava a umas quatro quadras dali.

Mas era ali que dava para ver aquele ângulo tantas vezes repetido ao longo dos anos pelos programas de TV. O segundo avião atingindo a Torre e dois homens olhando para cima incrédulos. Repeti o gesto deles e olhei para um céu manchado de nuvens.

Com os ingressos já nas mãos, fomos andando até a entrada. As ruas estreitas indicavam por onde a nuvem gigante de poeira passou.

Entrada Ground Zero_ Nova York

Chegamos e entramos em uma longa fila com cinco paradas para checagem dos ingressos. O lugar ainda está em obras e nos tapumes algumas referencias ao evento…

Flag of Honour - Ground Zero_Nova York

Achei irônico e comovente ver a bandeira feita com os nomes daquelas pessoas comuns, cotidianas e anônimas que estavam lá naquela manhã feita de terror.  Seguimos… Até o parque. O marco. O ponto. Ground Zero. Estávamos lá.
GroundZero_NewYork
Uma simplicidade em verde e cinza. Um burburinho quase silencioso.  Um lugar… Aquele lugar, onde tudo aconteceu tão rapidamente, nos convidava a ficar ali sem nenhuma pressa. O tempo suspenso na precariedade da vida se equilibrava em uma corda bamba no ar.
Unica árvore que sobreviveu aos ataques ao WTC
Passamos pela única árvore que testemunhou o evento. Prova bem frágil de que, às vezes e por acaso, se consegue sobreviver…
 Ground Zero_NovaYork
Ground Zero_NovaYork
E chegamos às Torres às avessas, feitas de um eloquente vazio. Não são fontes… Não são lagos… Não são cascatas… Não são.
 Names_GroundZero-NovaYork
E a minha frente, os nomes… Daquelas anônimas pessoas que estavam ali naquela manhã de terror.
Rezei… Acariciei alguns daqueles nomes sem rosto. Tão iguais a mim. Comuns, cotidianos e impotentes. A mercê do destino e de decisões alheias… Iguais a tantos outros que se vão a cada dia, todos os dias… Os filhos do desencontro.
Houve uma manhã em que dois aviões atingiram edíficios… Olhei para cima novamente e, desta vez, era o céu que invadia as janelas… Quem dera que fosse um indicio de utopias… Quem dera… Quem dera…
Sky-GroundZero_NovaYork
         Patricia Blower
Sou professora por formação, artista plástica, designer e blogueira, mas gosto mesmo é de ser nômade. Moro seis meses na Europa quando aproveito para viajar, e seis meses no Brasil, praticamente na ponte entre o Rio de Janeiro e Niterói. Eu moro onde estão meus sapatos.
Estou no Google + – +
Celina Martins
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Sou professora por formação, artista plástica, designer e blogueira, mas gosto mesmo é de ser nômade. Moro seis meses na Europa quando aproveito para viajar, e seis meses no Brasil, praticamente na ponte entre o Rio de Janeiro e Niterói. Eu moro onde estão meus sapatos. Estou no Google + - + Celina Martins -

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